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Como será Havana depois de Fidel?

Janeiro 7, 2008

Com esta pergunta em mente, resolvi aproveitar as férias coletivas impostas pela empresa para conhecer o último reduto puramente socialista do mundo. E posso dizer que é realmente incrível estar lá.

Desde os tempos de colégio que nunca consegui ter uma opinião sólida sobre o socialismo e, principalmente, sobre o socialismo presente em Cuba nos dias atuais. Algumas vezes ele me parecia algo bom, outras extremamente nocivo para a população. Hoje posso dizer, após ter ido ver de perto, que tenho mais argumentos para formar algum tipo de opinião.

O vôo para Cuba é feito pela COPA Airlines, empresa panamenha que opera a maior parte dos destinos na América Central. Da escala no Panamá, tudo que posso dizer é que as cervejas Atlas e Soberana são bem ruinzinhas, e que o som ambiente no aeroporto no momento que desembarquei era nada mais nada menos que Borbulhas de Amor, de Raimundo Fagner. Além disso, destaque para a hora de partir: da janela é possível avistar um pico de surfe que parece fantástico.

pico_panama.jpg

Partindo do Rio, a viagem dura cerca de seis horas. Até Cuba são mais três, onde a única coisa avistável pela janelinha é uma imensa massa de água. De repente, a água começa a ficar mais clara e surgem lindos arquipélagos azuis, cristalinos, muito além do que eu imaginava que tudo aquilo pudesse ser. Mas ainda levaria algumas horas até poder ver tudo isso de perto, já que a princípio desembarcaria no aeroporto internacional José Marti, em Havana.

Havana, a capital, é um local que parece estar em guerra. O que na verdade não deixa de ser verdade - uma guerra política e econômica. Logo ao chegar, fui interrogado diversas vezes na imigração, pois viajava sozinho e este parecia um comportamento muito suspeito aos olhos cubanos. Não bastasse isso, tive minha bagagem revirada por um agente da alfândega, incluindo bolsos das bermudas e tudo mais. Passado este pequeno incidente, entrei em um carro e fui direto para Varadero, a praia mais badalada do país. É claro que não sem antes comprar um charuto de cerca de 25 centímetros, para entrar no clima.

Com uma fama que faz dela algo como uma Copacabana cubana, Varadero fica a duas horas de Havana. É interessante fazer esse trecho de carro, pois é possível ver todo o investimento feito em diversos tipos de fontes de energia - plataformas de petróleo, usinas de gás, energia eólica - além de cenas bem diferentes, como um urubu atropelado ou pescadores circulando com enormes barracudas na beira da estrada.

Varadero fica em uma região chamada Matanzas. Logo ao chegar é possível notar um contraste fantástico entre avenidas grandes e bem pavimentadas e regiões centrais parecidas com Antonina, no Paraná, ou qualquer outra cidade histórica do Brasil. Os carros que circulam são velhos, apesar de vez ou outra um Honda Civic cruzar nosso caminho.

matanzas.jpg

Para dizer bem a verdade, Varadero é um local meio frustrante. É claro que não viajei em busca de ondas, afinal o mar parece uma piscina. Mas esperava um pouco mais de “Caribe”, se é possível entender isso. A praia é muito bonita e o mar transparente, mas parece faltar ao local um pouco de clima. Talvez seja o impacto fulminante de uma região tao turística, não sei. Entretanto, não deixa de ser um lugar sensacional. É possível mergulhar com um snorkel e ver dezenas de peixes, alimentá-los com pão e, de quebra, presenciar um pôr-do-sol incrível.

Fazendo contraponto à beleza da praia, logo em um primeiro momento pude sentir um pouco da situação em que vive o povo por lá. Um dos seguranças do hotel me chamou um dia, perguntou de onde era e, após um pouco de conversa, me pediu um dinheiro para comprar um presente de Natal para a filha. Eu disse que poderia ajudá-lo, dependendo do valor. Pois o presente custava dois pesos. Convertendo rapidamente, é algo como R$ 3,00. Esta foi apenas uma das diversas situações e momentos em que senti muita tristeza por lá.

Só estive em Varadero por duas noites, tempo suficiente para desfrutar das belas praias, fazer dois amigos turcos, mostrar para um cubano como é que se joga sinuca à la Rui Chapéu, conhecer uma família grega… Enfim, se tem uma coisa que eu fiz nesta viagem foram amigos.

Após Varadero, peguei um aviãozinho de hélices da companhia AeroGaviota e parti para Cayo Largo, meu próximo destino, que deixarei da mesma forma para um próximo post. Para acabar este aqui com uma boa impressão do lugar, deixo uma foto de um pôr-do-sol inesquecível em Varadero, Matanzas, Cuba.

varadero.jpg

Coloquei algumas outras fotos no Flickr. Para acessar o álbum, clique aqui.

2 comments

  1. [...] conhecer Cuba. Caso você queira ler alguns relatos mais específicos, consulte os posts sobre Varadero, Cayo Largo ou Havana clicando nos [...]


  2. [...] imediatamente. Em Havana, ele comenta sobre a cidade e vai de carro até a praia de Varadero. Viaje com ele nessas pérolas em forma de [...]


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